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domingo, 29 de julho de 2018

Café, Cana e Flores: Por Wagner Wilker

Desde o seu descobrimento, Bonito tem se destacado por tudo que a natureza proporcionou a este lugar. A localização privilegiada na zona de transição entre o Agreste e a Mata faz de Bonito um lugar abençoado com terras férteis. Entre os séculos XIX e XX, Bonito ficou conhecido pela produção de bons cafés, sendo inclusive premiado em concursos na Europa.

Os grandes investimentos dos coronéis na época era justamente as lavouras de cafés espalhadas por grande parte do município, hoje, o que ficou de lembrança dessa rica época, são os terreiros onde os frutos eram secados.

Posteriormente ao café veio o grande ciclo da cana-de-açúcar, o que fez de Bonito um dos maiores plantadores do Estado de Pernambuco. Estes produtos, de tão importantes para o desenvolvimento local se transformaram em símbolos na Bandeira do município.

Aos pouco, o café e a cana-de-açúcar foram sendo extinguidos do nosso território, este último ainda é plantado em solo bonitense em algumas partes que ficam nas divisas de municípios com usinas como Palmares e Joaquim Nabuco. Aos poucos foram dando lugar a outros produtos, um deles, foram as flores, que entre as décadas de 70 e 90, transformaram Bonito em um dos maiores produtores de flores do Nordeste, graças a implantação da Colônia Japonesa no município.

Dezenas de carros saíam diariamente com flores para os grandes centros comerciais, principalmente o Recife. A maioria delas eram cultivadas na região da Colônia Rio Bonito, porém, algumas famílias chegaram a plantar flores na zona urbana. Com o passar do tempo, o cultivo foi diminuindo, e hoje, praticamente não se ver mais aquelas inúmeras entufas espalhadas pelos antigos locais de plantação.

As flores, que por muitos anos foram cultivadas em solo bonitense, é, justamente, o que mais sentimos falta nos canteiros de nossa cidade. Por mais arrumada que sejam as praças do município, são poucas as flores que encontramos plantadas nos canteiros. Flores representam vida, alegria, beleza, e é justamente isso que nossas praças e canteiros necessitam, de vida, de alegria, de beleza.

Sabemos que o vandalismo com locais como esses são inevitáveis, porém, se faz necessário uma política de paisagismo, principalmente pelo fator do município receber inúmeros turistas. Façamos também a nossa parte, plantando e cuidando de nossos canteiros.

Que tenhamos pela frente menos cimento e mais flores. Que possamos ao menos resgatar o prazer de cultivar nossas próprias flores, nossos próprios jardins, se não, corremos os risco de ficar lembrados pela cidade que ficou sem café, sem cana e sem flores.

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