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sábado, 1 de julho de 2017

A impunidade vence quando você é seletivo - Por Murilo Gonçalves

É bem complicado entender a seletividade dos brasileiros na política. Meus compatriotas dividem-se no que supostamente seria mais aceitável politicamente. Se a os fatos trazem indícios de crimes, mas o agente que os perpetrou levanta a bandeira que lhes seja pertinente, é normal ouvir as pessoas falarem que há uma grande conspiração nacional. A situação chega a ser tão esdrúxula que as pessoas dividem até delações, validando tudo que não diz respeito aos seus idolatrados bandidos.

Há quase um ano o Brasil viu ocorrer um processo de impeachment, que mesmo sendo um processo constitucional onde o Congresso destitui um presidente eleito, precisa da ocorrência de um crime de responsabilidade. Assim vemos que, em detrimento do que ocorre no parlamentarismo, no Brasil o Parlamento não pode pura e simplesmente destituir um Presidente eleito, deve haver a prática do crime de responsabilidade. Mas aí está a grande questão. Um crime de responsabilidade é uma infração político administrativa, deriva de erros cometidos de uma má gestão, por exemplo. Não é um crime propriamente dito, situado lá no Código Penal e sujeito a penas de reclusão ou cadeia, em uma linguagem menos técnica.

Desse modo, comparando os fatos, o Brasil parou, lotou avenidas, bateu panelas por uma gestão ruim e irresponsável. Contudo, fica inerte diante de uma gestão criminosa, onde o Presidente é gravado em diálogos mais que promíscuos, associando-se a Senadores “supostamente” (tenho que falar supostamente porque não sou juiz para condená-los) homicidas, atacando procuradores, fazendo minguar a estrutura da PF quando o país padece de segurança pública, cortando direitos conquistados ao longo de décadas ao impor reformas estapafúrdias, jantando naturalmente com o ministro que vai julgá-lo, além de uma voz demasiadamente irritante.

Assim, ao ver tudo isso, acabo firmando meu entendimento, que as pessoas, aqui por estes lados, têm uma miopia política muito grande e isso é extremamente nocivo ao futuro da nossa nação. Fomos intransigentes em relação a infrações políticas administrativas e estamos fazendo muito pouco diante de reiteradas ocorrências criminosas, isso mesmo, crimes. Temos o primeiro presidente na história a ser denunciado por um crime mesmo no exercício do mandato, crime de corrupção e, o pior, que diariamente tem contato com o Erário. É análogo a dar a chave do cofre ao larápio e o deixar bem a vontade.

Queremos um país sério e justo, mas somos apáticos e selecionamos bem o que convêm. Agimos com desproporcionalidade, focamos nossa ira em manobras fiscais (pedaladas) e olvidamos nosso interesse quando uma máfia pilha nossos cofres e tira de nós o nosso direito mais básico, a Dignidade. Digno é o homem que tem trabalho, que tem seu teto ou sua terra, que vê seu filho em uma boa escola, que não fica jogado e humilhado em um corredor hospitalar a míngua. E o Estado pode, sim, atender todas essas demandas. Porém devemos cobrar para que assim o faça! Cobrar não com seletividade, não proteger partidos, cores, bandeiras e nem muito menos políticos. O crime tem que parar de compensar e para isso precisamos estar juntos, do mesmo lado.

Murilo Gonçalves é Policial Militar e Estudante de Direito

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6 anos levando a notícia com responsabilidade.

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