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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Especial Nelson Ferreira - 1ª Parte

Nelson Heráclito Alves Ferreira, o "Moreno Bom", como era carinhosamente apelidado, nasceu no município pernambucano de Bonito, a 9 de dezembro de 1902 e tornou-se, ao lado de Lourenço da Fonseca Barbosa, o "Capiba", o mais popular compositor de que o Nordeste tem notícia.

nel02Seu primeiro contato com a produção musical se deu aos 14 anos, compondo, a pedido da Companhia de Seguros Vitalícia Pernambucana, a valsa "Victória". Daí em diante, Nelson só parou quando lhe pararam o coração e o pensamento. Fez valsas, foxes, tangos, canções as mais diversas, vindo a especializar-se no gênero frevo, o ritmo brasileiro mais contagiante e popular.

Nelson Ferreira teve uma passagem tão atuante quanto brilhante no panorama musical de Pernambuco. Ainda jovem, tocou em pensões alegres, cafés, saraus e nos famosos cinemas Pathé, Moderno e Parque do Recife. Foi o pianista mais ouvido na época do cinema mudo.
 
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Foi, um homem do disco, tornando-se diretor artístico da Fábrica Rozenblit, instalada em Pernambuco, cuja contribuição foi marcante nessa área. Criou também, a partir dos anos 40, uma orquestra de frevo que não só ficou famosa em sua trajetória local, mas também extrapolou as fronteiras de nossa região, conseguindo sucesso a nível nacional.
Seu sorriso aberto e franco, sua bondade, seu espírito nativo e criativo, valeram-lhe muitos amigos nos mais variados segmentos da sociedade. Alguns, tornaram-se seus parceiros musicais, como Sebastião Lopes, "O Bom Sebastião", no dizer de Getúlio Cavalcanti; Ziul Matos, Aldemar Paiva e tantos outros nomes famosos da radiofonia pernambucana.

 Compôs sete evocações musicais, famosas em todo o Brasil, homenageando a carnavalesco, jornalistas, velhos companheiros e a outros, verdadeiros imortais da poesia e da música, como Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, Athaulfo Alves, Lamartine Babo e Francisco Alves.

Várias gerações, ao som da Orquestra de Nelson Ferreira e sob sua batuta, brincaram carnavais inesquecíveis. Seu frevo é eterno pela força criativa e pelo conteúdo popular. Seus amigos surgiam de todos os lados, oriundos de todas as camadas sociais, sem preconceitos, como o ferver do ritmo que o tornou imortal.

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Nelson é um dos nordestinos que possui o maior número de músicas gravadas na história da discografia brasileira, embora grande parte de suas criações seja desconhecida do resto do Brasil. Sua produção, ao lado da de outros pernambucanos como Raul e Edgar Morais, Zumba, Levino Ferreira, Irmãos Valença,Luiz Gonzaga e Capiba, entre alguns outros, é de uma importância enorme no estudo das manifestações músico-sócio-culturais de nossa região.

Inicia-se na discografia nacional a partir de 1924 com a música "Borboleta não é ave", em ritmo de samba, gravada pelo Grupo do Pimentel, em disco Odeon de no 12.2381, lançada no carnaval brasileiro daquele ano. Depois, vieram as marchas pernambucanas, as valsas, os frevos, a incursão no rádio, veículo onde pode aprimorar e divulgar o seu talento, aproximando-se, o compositor, cada vez mais, pela sua popularidade na região, das fábricas de disco e dos maiores intérpretes do seu cast.

Participavam, então, desse cast, nomes como o de Francisco Alves, Almirante, Aracy de Almeida, Carlos Galhardo, Joel e Gaúcho, Valdi Azevedo, Inezita Barroso, Augusto Calheiros, Minona Carneiro, Dircinha Batista, Nelson Gonçalves, uma infinidade de orquestras, além de intérpretes pernambucanos do maior valor, como Claudionor Germano e Expedito Baracho. E todos eles, sem exceção, foram veículos da imortalização da música do grande maestro.
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Sua importância como compositor popular, parece evidente, apenas, na produção de frevos. Nas primeiras décadas do século, no entanto, Nelson Ferreira compôs valsas que marcaram época nos cinemas, nos bailes dos clubes sociais de todo o Nordeste, nas reuniões familiares. Valsas tão aplaudidas na região quanto as mais populares vienenses. Tão marcantes, essas valsas, que valeu, certa vez, do escritor Nilo Pereira, sobre elas: "Nelson Ferreira, feiticeiro do piano, fixador dum tempo que as suas valsas revivem como se estivessem falando. Se meia hora antes de sair o meu enterro, tocarem as valsas de Nelson, velhas valsas tão íntimas do meu mundo, irei em paz, sonhando."

Sua projeção musical, em termos de Brasil, evidenciou-se de forma efetiva em 1957, quando tornou, definitivamente popular, o frevo de bloco, através de sua "Evocação no 1", sucesso no carnaval de todo o país, onde ele resgata, com saudade, momentos inesquecíveis do carnaval do Recife.

 "Felinto, Pedro Salgado
Guilherme, Fenelon,
Cadê seus blocos famosos?
Bloco das Flores, Andaluza,
Pirilampos, Apos-Fum,
Dos carnavais saudosos" (...)


Continua...


Fonte: fundaj.gov.br 



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6 anos levando a notícia com responsabilidade.

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