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domingo, 4 de dezembro de 2016

Lembrando os mortos - Por Lucídio José Oliveira

Reprodução: Internet
O craque faz a diferença. Foi assim com Mário Sérgio. Futebol feito de técnica refinada e muita picardia. Lembro de Mario Sérgio como jogador. Um craque. Bola de Prata de Placar em 1973,74, 80 e 81. Tem o nome no livro de Paulo Vinícius e André Kfouri, entre "Os 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos". Como torcedor, agradeço a Mário Sérgio os domingos de alegria que tive diante da telinha da TV, vendo ele jogar. Vesgo, de olhar enviesado, com a camisa do Vitória da Bahia, onde surgiu para mundo do futebol em 1971. Ou com a do São Paulo, a do Palmeiras, a do Grêmio, do Internacional, do Flamengo.

Um dos poucos a conquistar no Rio Grande, o coração de torcedores gremistas e colorados. Campeão brasileiro pelo Internacional em 1979, e campeão do mundo pelo Grêmio em 1983. Jogava muito. Depois, treinador e comentarista. Lembro com saudade Mário Sérgio como jogador. Lembro também, já com saudade, Deva Pascovicci. O narrador que enchia a sala com vozeirão de sons e gritos de gol.

O gosto pelo rádio vem do tempo de Ary Barroso e Antônio Cordeiro. De Gagliano Neto e Oduvaldo Cozzi. Rádios Tupy, Marinck Veiga e Nacional, anos 40. Depois Jorge Cury, Doalcey Bueno de Carvalho, Waldir Amaral e Ivan Lins. Futebol pelo rádio é outra coisa, bem mais emocionante. Deva Pascovicci era um dos últimos.

Noite fechada de inverno, chovia muito lá fora. Bem perto de casa, no Artur Tavares de Melo, o campo da cidade, estava havendo um jogo de futebol. Jogavam Sport e Porto pelo Pernambucano de 2001. Não tinha motivo para ir ver o jogo. Não era o Náutico que estava jogando. Lá pra tantas, bateu aquele vontade: vou ver como joga esse Sport, o rival. Afinal, estava em jogo uma legenda alvirrubra, o Hexa.

Era uma noite cinzenta, fria, o estádio tinha uma iluminação precária. Não dava para ver bem as jogadas e identificar quem estava com a bola. Chequei ao estádio o segundo tempo na metade. O Sport estava na frente, terminou ganhando o jogo. Placar apertado, um ou dois a zero. Um jogador, porém, nos poucos mais de 20 minutos em que estive na arquibancada, chamou a atenção.

Era um crioulo alto, bom porte atlético, domínio amplo da bola. Cabeça alta, visão do jogo. Técnica apurada. Procurei saber de quem se tratava. Era Cléber, estava saindo do juvenil. Fiquei de olho em Cléber. Foi para a Europa, tinha que ir. Atlético de Madri, na Espanha, Mallorca. De volta ao Brasil, depois de um tempo, Chapecoense. A estrela do time. O cara que pensava o jogo. O jogo passava por ele. Chegaram um dia a falar que o Náutico estava interessado nele. Fiquei na torcida. Não aconteceu. No dia 28, a tragédia. Adeus, Cléber. Um craque.

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6 anos levando a notícia com responsabilidade.

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