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segunda-feira, 27 de julho de 2015

A FAMÍLIA E A PESSOA COM DEFICIÊNCIA - POR SUELI SILVA

A chegada de um novo membro na família é sempre um momento de expectativas e de reestruturação na vida familiar. Começa um lento e gradual movimento de preparação do espaço familiar para a chegada de um novo ente. São mudanças que ocorrem nos aspectos emocional, comportamental, físico, social e econômico. Da mesma forma que a família vem sendo construída historicamente e se estrutura nas formas que a conhecemos hoje, a dimensão afetiva também se constrói historicamente e socialmente, desde que a perspectiva da chegada de um bebê se apresenta no enredo familiar. Inicia-se muito antes de o novo membro chegar a gestação de um sentimento de pertencimento desse novo ser a esse núcleo de relações elementares chamado família.

Antes mesmo do nascimento do um bebê, ele já existe nos pensamentos, fantasias e desejos de seus pais. É comum que essas fantasias estejam ligadas aos conteúdos emocionais dos genitores e que atendam a uma idealização dentro dos padrões de nossa sociedade; padrões que enfatizam o perfeito, o saudável, o bonito. A mãe já imagina seu filho aconchegado em seus braços com os traços que lhe são familiares e atrativos. O pai, por sua vez, pode imaginar, o filho correndo atrás de uma bola saltitante e feliz. Não só é comum como perfeitamente saudável que os pais e demais membros da família exercitem essa produção de imagens, que nada mais é do que a materialização de um futuro próximo e desejável.

Além do desejo manifestado em pensamentos, fantasias (conscientes) e sonhos (inconscientes) de conteúdo positivo em relação ao bebê que chegará, é comum que esses mesmos condutores internos possam expressar temores em relação à maternidade. Um dos temores mais comuns e universais diz respeito ao medo de dar à luz um filho com deficiência , logo quando ocorre a confirmação de uma gravidez a primeira frase que ouvimos é : Parabéns! que venha "perfeito" e com saúde. Isso decorre do natural desejo de ter um filho saudável e já aponta o temor de gerar uma criança que, por alguma limitação, não possa ser adaptada ao meio social e cultural; uma criança que dependerá exclusivamente de sua família que, nesse momento, não se acha preparada para um desafio dessa natureza. Além da deficiência em si e suas dificuldades inerentes, outra situação que torna o cenário mais complexo é a atitude da sociedade diante dela. A ideia de deficiência instituída no imaginário social gera instantaneamente a imagem de incapacidade, de dependência, de sofrimento, de trabalho, de culpa e de dor. Não é raro observar, nas falas de pais e mães que esperam um bebê, a esperança de que seu filho possa, de alguma forma, realizar coisas que eles não alcançaram. É evidente que pensamentos que ameaçam esses sonhos sejam prontamente eliminados e que a expectativa de uma criança sem maiores problemas permaneça como imagem central do desejo familiar.

Na realidade, as famílias possuem uma estrutura razoavelmente estável, papéis definidos, suas próprias regras estabelecidas e os seus próprios valores. Porém a chegada de uma criança com deficiência geralmente torna-se um evento traumático e de grandes mudanças, pois em nossa sociedade, não é comum sermos estimulados a pensar naquilo que não é padrão, naquilo que não é constituído e socialmente aceito como regra. O impacto que a chegada de uma criança com deficiência causa sobre a família faz com que o próprio grupo familiar seja obrigado a desconstruir seus modelos de pensamentos e a recriar novas vivências e conceitos, a fim de se ajustarem ao novo estilo de vida.

Os sentimentos enfrentados diante da presença de um filho com deficiência é um fator que pode interferir na estrutura familiar e no relacionamento entre pais e filhos. O sentimento de descrença, incerteza, culpa, vergonha, choque, perda, tristeza, depressão, rejeição e até mesmo raiva são comuns entre os pais diante do enfrentamento da informação de que seu filho apresenta algum tipo de deficiência. Além das pressões internas que a família terá que lidar, esta também irá enfrentar as pressões externas da própria sociedade que tem dificuldades em conviver com as diferenças. A família é o primeiro campo, o primeiro ambiente significativo da criança, é onde ela aprende sobre o mundo e sobre a vida através das relações com cada integrante do grupo. Depois de passar por um longo processo de superação até chegar a aceitação a família tende a se reorganizar e fortalecer os laços visto que quando há apoio mútuo entre o casal a contribuição é muito positiva para o desenvolvimento e crescimento da criança com deficiência que requer amor, cuidados, atenção, estímulo, confiança, acompanhamento etc.

Desta forma é necessário lembrar a necessidade de maior conscientização, orientação, conhecimentos para as famílias que têm crianças com deficiência. Conscientizar das suas responsabilidades e dos efeitos profundos e duradouros das suas reações no crescimento e desenvolvimento dos seus filhos. Existe um caminho promissor, um caminho de cheio de possibilidades, aberto a todos aqueles que acreditam e têm a coragem de enfrentar desafios sabendo que nada é impossível para aqueles que lutam e acreditam. A família é a base de tudo ! A minha família não desistiu, lutou, acreditou e enfrentou desafios e hoje eu "agradeço a Deus por tudo isso. " !





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