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domingo, 21 de dezembro de 2014

O Amigo Dimas - Por Lucídio José de Oliveira

Com Dimas vai embora boa parte de minha infância. Da adolescência. Da mocidade. Da vida. As diabruras de meninos na escola e no fundo do quintal murado da casa da tia Mariínha, na Praça. A vocação religiosa revelada na missa simulada com paramento e direito a vinho tirado da sacristia da igreja. A dor e o sofrimento, aproximando a amizade. Um dia meu pai, médico da família do amigo César, chegou em casa com a notícia preocupante: Dimas teria que ser encaminhado a um especialista no Recife. Problemas urinários. A confirmação do diagnóstico, logo depois. O procedimento doloroso para a retirada de cálculos com sonda metálica, coisa rara em criança. A amizade selada na solidariedade do sofrimento. A dor pela dor sentida que sente o amigo. Uma outra lembrança, guardada na memória, anos 50: Dimas, de batina preta na Avenida, sol a pino de meio-dia, acolitando o cônego Chicó. O padre de muchila na mão, arrecada óbulos dos paroquianos para a igreja na feira do sábado. Tempo de memória, a volta depois dos estudos a Bonito. Já somos homens feitos. O professor Dimas e o médico. As ideias e os amigos. A política como um bem comum. Paulo Viana, David Cardona, Netinha, José Heleno. A CNEC, o colégio, e o hospital. Os casamentos a seguir, o meu e o dele, as famílias crescendo. Os meninos doentes e o trabalho profissional. A amizade solidificada em nome da família. Cilinha e Nildinha, como alma gêmeas. Carlos Maurício. Junior, Adriana, Isabel Celina e Gustavo. A amizade que se faz para sempre. Dimas, o bom amigo.








Lucídio José de Oliveira
Médico e Escritor
Textos e imagem/Facebook










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6 anos levando a notícia com responsabilidade.

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